Viver em Morte
Acordei, minhas mãos parecem leves e meu corpo mais suave. Tenho a sensação de que tudo está mais claro, mais nítido e verdadeiro, pois quando olho agora vejo a verdade estampada nos rostos, nos pensamentos e vejo também que não estou mais vivo. Morri e como será que é viver? Meus Amigos devem estar chorando realmente pela minha perda, eu sinto o que talvez muitos nunca souberam me passar em vida. E todas aqueles pessoas que estiveram ao meu lado constantemente será que vão se lembrar de mim por muito tempo? Tento senti-los, tento compreende-los e mesmo daqui tenho muita vontade de continuar tentando. É como se um calor quente passasse por diversas regiões do meu corpo me aquecendo, dando esta certeza. É estranho... tenho saudades antes mesmo de chegar! Viver não estando vivo parece um termo um tanto quanto antagônico, mas ao mesmo tempo simples. Ouço choros, gritos e um vazio que parece ser o meu. Não preciso ser mais compreendido e mesmo sendo a mesma pessoa, sinto que a realidade é enfim um sinônimo de verdade, ela não precisa ser mais escondida por uma mentira ou omitida para ser aceita. Compreendo que lá estávamos presos, cegos e muito ocupados para olharmos pra dentro de nós mesmos ou para dentro do outro e compreender o que daqui é tão simples de se ver. Se vocês pudessem sentir o que sinto agora... Não penso em voltar, quero ficar! Começo a perceber que a vida ai parece uma corrente com uma grande bola de ferro amarrada aos nossos pés, ela está presa a nós com todas nossas dificuldades, mentiras, pecados e tudo de ruim que carregamos. Talvez você possa, em vida, se libertar dela de onde você está se tiver força suficiente dentro de seu eu para quebrar-la e viver uma vida limpa, livre e transparente. Ai já compreendo que tudo que façamos não passa de impulsos, vontades momentâneas e desnecessárias do que queríamos realmente ser e que aqui não queremos ser, de viver o que aqui não queremos viver e de viver uma vida assim como a daqui, uma vida simplesmente na morte.

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